Suely Cauduro  
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As gravuras e aquarelas de Suely Cauduro nascem de um interno recolhimento e meditação poética.

O rigor, na linguagem das gravuras, traduz a pureza de cada processo calcográfico que ela se impõe explorar. A vigorosa água tinta, direta, de granulação variada, alcança o limite técnico permitido pelo tempo do mordente, cobre e grão de resina. A água forte e a ponta seca são soltas, emaranhadas e descabeladas. O buril, preciso. Processos construídos com disciplina e sistematização, é que formam a pética da "flora-síntese" de Suely Cauduro. Temática una, sem variação; "flores-pretexto", apenas como meio para o desencaderar dos negros e brancos nas pranchas, numa seqüência de luzes alegres e exuberantes, onde claros e escuros evoluem, e se transformam em soluções de novos trabalhos, como massas de aquarela colorida em expansão.

Refletindo sobre sua obra, deixo a imaginação caminhar, e descubro-me diante de um grande palco, sentada ali embaixo, junto aos músicos da orquestra. Vejo descer, então, uma após a outra, lá no fundo, gravuras tapumes que contém a síntese de formas florais. Flores observadas antes na natureza, e muito trabalhadas nos bastidores da mente, para de pois se concretizarem nas matizes de metal.

As graviras com formas grandes ocupam todo o palco de minha visão; algumas gravadas em águas tintas, que se sucedem, se aproximam, e se fundem com o preto escuro e misterioso deste palco imaginário. Imperceptíveis lavis gravados, que ali existem e se integram na área negra e intensa deste espaço; e, como num abrir e fechar de olhos, depois do preto e branco, surge o trabalho em cor. No primeiro plano deste lugar, explodem aquarelas formadas por feixes multicores. Verdes, amarelos, azuis e magentas se cruzam no espaço, e em fumaça de "gelo-seco" se misturam e se permeam, como iluminações de um balé do Bolshoi.

As luzes da aquarela, o acender e apagar dos ritmeos do branco e preto (que carregam a gantasia para a experiência da "lanterna mágica"), gravados com precisão em chapa de cobre, mais o amor com que todo o trabalho foi feito, testemunham a boa qualidade, o vigor e a contagiante alegria dessa obra em formação.

Iole Di Natale, Artista Plástica, Arte Educadora, Gravadora, Desenhista, Aquarelista, fundadora do Núcleo de Aquarelistas - FASM (prêmio APCA 2003, melhor ação cultural do ano).